Serão investidos 5,5 milhões no reforço da sinalização e da fiscalização do limite de
velocidade na rodovia
A Ecovias lançou ontem um amplo projeto de segurança com o objetivo de reduzir o número
de mortes e acidentes na via Anchieta, principal ligação entre a capital paulista e o
Porto de Santos. A rodovia concentra, atualmente, metade de todos os acidentes que
acontecem no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), administrado pela concessionária. Serão
investidos R$ 5,5 milhões no projeto. A expectativa da Ecovias é reduzir em 30% o número
de acidentes e de mortes na rodovia, que acaba de completar 60 anos.
As principais intervenções ocorrerão nos 15 quilômetros da serra da Via Anchieta. Com
41 curvas – sendo quatro delas muito acentuada, localizadas nos km 42, 44, 46 e 47 – esse
trecho concentra a maior parte dessas ocorrências, ou seja, 22% de todos os acidentes
registrados na rodovia. Em números absolutos, dos 3.497 registrados no ano passado, 771
aconteceram na descida da serra. Dos 225 feridos em acidentes em toda a Via Anchieta, 206
foram nesse trecho, onde também ocorre a maioria das mortes na rodovia. Das 19 registradas
no ano passado, 10 aconteceram na descida da serra. Há ainda uma preocupação com a fluidez
do tráfego.
Em 2006, foi registrada uma média de um acidente com fechamento de pista a cada 3 dias.
Esses acidentes causam congestionamento, atrasos nos prazos de embarque e desembarque do
Porto de Santos, transtornos para a economia e para os usuários do Sistema. Com a redução
da quantidade de acidentes, a concessionária também espera garantir maior fluidez ao
tráfego, com a diminuição do fechamento de pista com atendimentos de emergência.
O projeto consiste basicamente no reforço da sinalização de segurança e da fiscalização
do limite da velocidade, já que parte significativa da frota de caminhões não respeita a
velocidade máxima permitida, que varia entre 50 e 60 km/h estabelecida para o trecho de
serra. Serão implantadas nove lombadas eletrônicas para fiscalização de velocidade, 2.400
metros de faixa de retenção sonorizadora, 6.370 metros de barreiras de concreto, quatro
painéis de mensagem variável para comunicação direta com o usuário, 16 pórticos e 37
semi-pórticos (estrutura metálica para fixação de placas sobre a rodovia), 1.900 metros
quadrados de placas aéreas e de solo e 3.500 balizadores (bastões que ficam às margens da
rodovia para direcionar o motorista, principalmente à noite).
O principal foco da campanha serão os veículos comerciais, sobretudo caminhões, cuja
frota é a que mais cresce no SAI. Em 2000, eles representavam pouco mais de 12% do tráfego
total. Hoje, essa participação chega a 17,5%, o que corresponde a 5,3 milhões de veículos,
contra 3,5 milhões, registrados em 2000. Nesse período, o volume de caminhões no SAI
aumentou em 52%. O comportamento desses motoristas é o que mais chama a atenção da
concessionária.
Pesquisa realizada no ano passado nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes, com
cerca de 500 caminhoneiros, mostra alguns dados preocupantes em relação ao comportamento
desses motoristas. Cerca de 40% dos caminhoneiros não fazem pausa durante o trabalho e 55%
trabalham mais de 12 horas por dia, o que faz com que muitos dirijam cansados e com sono.
Para agravar esse quadro, 4% deles admitem beber diariamente e 7% confessam já ter
utilizado algum tipo de droga para trabalhar, fatores que, aliado à fadiga e ao estresse,
podem levar à incidência de uma quantidade maior de acidentes.
A concessionária também fará uma campanha educativa, que será um dos alicerces desse
projeto, assim como a fiscalização e as ações de engenharia. A campanha consiste na
divulgação de mensagens educativas na rodovia e na realização de palestras em empresas
situadas ao longo do Sistema. O material educativo será composto de banners, que serão
instalados nos principais pontos em que ocorrem acidentes, e folhetos, que serão
distribuídos nas praças de pedágio e no pátio de caminhões da concessionária.
Completando a campanha, a Ecovias realizará duas palestras por semana nas comunidades
localizadas ao longo das rodovias. Com isso, pretende esclarecer as pessoas que utilizam o
Sistema sobre o risco de práticas esportivas às margens das estradas e sobre a importância
da utilização de passarelas e demais equipamentos de segurança.